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quinta-feira, 29 de junho de 2023

"Resta um repouso para o povo de Deus" Hebreus 4.9

 



Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus.  Hebreus 4:9 Almeida Revista e Corrigida



Significado de Descanso. substantivo. m. 1. repouso: Ele está doente e precisa de repouso. 2. folga, pausa: O meu dia de descanso é o sábado.


O SIGNIFICADO BÍBLICO DE DESCANSO

Sentimos cansaço e fadiga em diversos momentos de nossas vidas e nos cansamos diante das dificuldades do dia a dia, do trabalho, de viagem de negócios, de exercícios físicos para manter a forma ou até mesmo das tribulações que nos atingem. O cansaço vem até de uma vida tranquila, um lugar calmo ou de morarmos numa cidade pacata. A rotina nos cansa.

Descansar é a melhor forma que podemos fazer diante do cansaço físico ou mental. Contudo quão difícil é o descanso tanto  para nós que professamos a fé cristã quanto para os incrédulos, isto porque não podemos desligar nossos cérebros. Precisamos de verdadeiro descanso. Mas como é exatamente o descanso verdadeiro e piedoso?

Descanso na Bíblia

Esta palavra, de modo geral, significa o que está nos dicionários: significa relaxar em paz;repousar, descansar fisicamente.

Na Bíblia, podemos refletir a palavra descanso em Gênesis 2:2, que diz assim: “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.”

Deus descansou no sétimo dia porque tinha terminado seu trabalho de criação. Deus não descansou porque estava cansado. O descanso de Deus serve de exemplo para nós, que também devemos descansar um dia por semana.

Não, Deus não se cansa (Isaías 40:28). Ele não descansou no sétimo dia para renovar suas forças. Descansar também significa parar de trabalhar. Quando em Gênesis 2:2 diz que Deus descansou no sétimo dia, significa que Ele não trabalhou nesse dia, que a obra da criação estava terminada, concluída - tudo perfeito e em ordem. Deus no sétimo dia cessou de criar.

Isso não significa que Deus não tem mais envolvimento no mundo. Deus apenas descansou de criar o mundo. Ele continua trabalhando até hoje (João 5:17). Deus não descansa nem tira férias de cuidar do mundo. Ele está sempre presente, tomando uma parte ativa em nossas vidas. Não existe hora em que Deus não está disponível para nos ajudar.

Deus descansou no sétimo dia como exemplo para nós. Deus não se cansa, mas nós nos cansamos. Nós precisamos de guardar um tempo para descansar. Gênesis 2:3 diz que Deus abençoou e santificou o sétimo dia. O sétimo dia ficou reservado como dia de descanso e dedicação a Deus (Êxodo 20:8-10).

Descansar é importante, não só para renovar nossas forças, mas também para desenvolver o relacionamento com Deus e apreciar Sua criação. O descanso precisa ser regular; Deus estabeleceu um dia por semana para termos uma rotina. Deus santificou o sétimo dia para garantir que sempre teremos o descanso que precisamos.

O trabalho por exemplo é um tema muito importante na Bíblia. Contudo, somos também chamados à atenção sobre a importância de equilibrar o trabalho com descanso. Embora o conceito de férias vá variando no tempo e na geografia, o descanso é de fato importante.

Hoje, o período de férias é o período habitual em que as famílias tiram um tempo para descansar e evitar o estresse. Nada deste assunto é novo. Deus foi o primeiro a descansar.

É importante deixar claro que foi Deus, o nosso Senhor, quem criou o descanso. A Bíblia começa com o trabalho de Deus, a criação do mundo.

Depois do Senhor ter trabalhado 6 dias, reservou o sétimo para descansar após concluir toda essa obra. Esse padrão foi posteriormente passado ao Homem. Portanto, Deus não só criou o trabalho como criou o descanso para nós.

Jesus também descansava e convidava outros a descansar, como podemos ler isso em Marcos 6:31, que diz assim: “Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”.”

Jesus sempre trabalhou. Antes de começar o seu ministério, Ele trabalhava como carpinteiro. No entanto, no meio de uma vida muito agitada e seguido por muitas multidões, Ele se ausentava as vezes para descansar.

O descanso é mencionado na Bíblia como uma ação depois de um período de trabalho. O sábado surgia após 6 dias de trabalho. A Bíblia condena uma vida de preguiça e de ócio. No entanto, dá suporte ao descanso de quem trabalha.

Onde é mencionado a palavra descanso na Bíblia?

Em várias páginas da Bíblia é citado a palavra descanso. Como por exemplo em Gênesis 2:2 que destaca a primeira menção de descanso,

“E havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra que tinha feito, e descansou no sétimo dia de toda a sua obra que tinha feito.”

Alguns outros lugares nas Escrituras que citam o mesmo tipo de descanso incluem Êxodo 5:5, 16:30, 23;2, 23:32, Isaías 66:23 e Mateus 12:1.

Também pode ser encontrado a palavra descanso em Mateus 12:8, que diz assim: “Porque o Filho do Homem é Senhor do sábado [descanso]”.

O que significa descanso em Deus?

Descansar em Deus é confiar em Deus como nosso Pai e Senhor é ter paz mesmo nas aflições. Descansar é estar seguro em Deus, largando a ansiedade. O descanso é uma bênção de Deus.

Todos precisamos de descansar. Nosso corpo descansa quando dormimos, mas nossa alma descansa quando confiamos em Deus. Descansar em Deus nos revigora e nos dá força, em Isaías 30:15:

Diz o Soberano, o Senhor, o Santo de Israel:
"No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram.
- Isaías 30:15

Apenas em Deus encontramos verdadeiro descanso. Quem não conhece a Deus não tem verdadeiro descanso porque nunca está seguro. Deus é nossa Rocha, Ele é infalível. Todas as outras coisas neste mundo podem nos falhar, mas podemos estar completamente seguros em Deus. Deus está sempre no controle, por isso podemos descansar Nele. (Marcos 13:31)

Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.
- Marcos 13:31

Descansar não é ter preguiça. Descansar é deixar as coisas que não podemos controlar nas mãos de Deus. Descansar é ter fé que Deus vai nos ajudar com nossos problemas. Descansar em Deus é rejeitar a preocupação desnecessária.

Como descansar em Deus?

1. Largando a ansiedade

É bom pensar no futuro e ter planos, mas a ansiedade não ajuda. A ansiedade vem quando você tenta resolver tudo sozinho, sem a ajuda de Deus. Sozinho você não consegue. Quando você se sente ansioso, entregue a ansiedade a Deus (1 Pedro 5:7).

Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.
- 1 Pedro 5:7

Exercício: ore e imagine a ansiedade como um fardo pesado sobre você. Pegue o fardo e dê a Deus. Diga a Deus: “preciso Sua ajuda, tome, não consigo carregar.” 

2. Lembrando as promessas de Deus

A Bíblia tem muitas promessas de Deus para você. Quando você quer descansar em Deus, leia a Bíblia e pense nas Suas promessas. Deus sempre cumpre o que promete. Você pode confiar em Deus (Jeremias 29:11).

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.
- Jeremias 29:11

Versículos para ajudar a descansar em Deus:

  • Mateus 11:28-29
  • Salmos 3:5-6
  • Salmos 62:5-8
  • Filipenses 4:6-7
  • Hebreus 4:9-11


A Bíblia de Estudo ESV destaca mais informações sobre o descanso de Deus. A geração de Josué via o descanso como a entrada na Terra Prometida, mas o descanso de Deus é mencionado em Hebreus 4:7 como “muito tempo depois”.

A certeza de entrar no descanso de Deus significa “cessar das lutas espirituais que refletem a incerteza sobre o destino final de alguém.

Significa desfrutar de estar estabelecido na presença de Deus e compartilhar da alegria eterna em que Deus entrou quando descansou no sétimo dia.” Descansamos quando encontramos nossa total satisfação Nele. 



terça-feira, 27 de junho de 2023

ENTENDENDO O AUTISMO PELO OLHAR DE UM AUTISTA

👊👊👊EU MESMO Este blog vai ser meio que autobiográfico, vou mostrar minha trajetória de vida até aqui. Falarei da minha fé e o quanto aprendi na caminhada cristã. As dificuldades e alegrias enfrentadas em minha vida. Farei algumas reflexões e levantarei alguns questionamentos. 
Meu nome é Paulo, tenho Síndrome de Asperger, ou mais modernamente, um autismo leve. Sou casado. Sou presbiteriano. Presbítero. Sou Professor de língua Portuguesa e Redação. Enfim tenho uma vida normal...


A palavra tem poder e, muitas vezes, de maneiras sutis as palavras nos influenciam. Rótulos, por exemplo, nos ajudam a diferenciar uma coisa de outra. Eles nos mostram para que serve tal objeto, como usá-lo e para onde enviá-lo; aliás, uma parte importante da ciência consiste em criar rótulos para características recém-descobertas da realidade. Mas a rotulagem torna-se algo complicado na área das ciências humanas, principalmente quando estamos lidando com tipos diferentes de pessoas.

Nunca esquecerei o conselho que recebi de um dos professores do meu Curso de letras: nunca devemos nos referir a pessoas com esquizofrenia como “esquizofrênicas”, disse ele, porque isso as desumaniza, pois parece reduzi-las ao seu transtorno. O conselho fez eco à minha crença cristã de que as pessoas com esquizofrenia são feitas à imagem de Deus.

Os rótulos, porém, são ainda mais poderosos no mundo de hoje. Para muitos, eles servem como marcadores identitários em uma paisagem política e cultural cada vez mais fluida. Daniel Bowman Jr., poeta e professor de inglês da Taylor University, ilustra essa dinâmica em sua obra On the SpectrumAutism Faith and the Gifts of Neurodiversity [Sobre o espectro: autismo, fé e as dádivas da neurodiversidade]. Esse fascinante e comovente livro de “memória em ensaios”, escrito por um evangélico incomumente reflexivo e transparente, visa reformular nossa maneira de pensar sobre o autismo, sugerindo novos rótulos para descrevê-lo.

Bowman desafia certos estereótipos que muitas pessoas associam ao autismo, o que torna o livro extraordinariamente atraente, mesmo que possa fazer dele um porta-voz um tanto controverso da comunidade autista. No entanto, é precisamente o seu notável grau de autoconsciência que lhe permite oferecer algumas descrições impressionantes de como é ser autista.

Bowman compartilha de forma honesta sobre a ansiedade social, a “desregulamentação executiva”, a tendência de afastar os outros, os colapsos periódicos e a vergonha significativa. Esses relatos oferecem uma abertura valiosa para enxergarmos os tipos específicos de sofrimento sentidos por, ao menos, alguns daqueles que têm autismo.

Vestindo o rótulo

Os ensaios de Bowman giram em torno de alguns temas comuns. Estar no espectro autista, segundo ele argumenta, é uma forma legítima de ser humano que é tragicamente patologizada e incompreendida pela “maioria neurotípica” (por aqueles sem autismo). O livro convida os leitores a ouvir as vozes dos próprios autistas, a fim de que realmente entendam os autistas e o autismo “a partir de dentro”.

Bowman defende que a beleza, a arte e a literatura contribuem significativamente para o florescimento do ser humano, em especial quando surgem de fontes inesperadas, como os marginalizados. O livro, que exemplifica sua própria visão com palavras, experimenta diferentes gêneros textuais, inclusive algumas entrevistas e uma carta que ele escreveu a dois queridos mentores (embora, infelizmente, não tenha poemas!). Mas Bowman nos encanta com suas histórias, e estas formam a maior parte do livro.

Especialmente tocante é seu relato sobre o fato de perceber gradualmente que poderia ser autista (um diagnóstico que só foi confirmado por profissionais em 2015). Bowman sentiu um alívio palpável quando descobriu a verdade, pois esta dava sentido a padrões de sofrimento que ele havia tido ao longo da vida. Desde o diagnóstico, Bowman acolheu o autismo como parte central de sua identidade.

Acho que ele diria que isso o capacitou a ver o que há de bom em sua condição e a perceber o máximo possível do potencial que Deus lhe deu. A alegria que ele hoje irradia ao compartilhar sobre o autismo é algo contagiante, e deve encorajar outros como ele a compartilhar suas histórias pessoais.

Isso leva a uma das maiores surpresas do livro, pelo menos do meu ponto de vista: Bowman acolhe ativamente o rótulo de “autista”. Na verdade, ele até prefere usar o termo “autistas” em vez de “pessoas com autismo”, a designação mais geral (e, segundo eu pensava, mais respeitosa). Ele aprecia profundamente quando os amigos levam em consideração seu autismo, pois isso significa que eles o apoiam como autista.

Na visão de Bowman, esse tipo de reconhecimento direto contraria a forma dominante como abordamos o autismo hoje, a qual ele chama de “paradigma da patologia”. Do ponto de vista de Bowman, tendemos a enxergar as pessoas autistas através de uma lente redutora — um prisma objetivo e científico que amplia as capacidades físicas, sociais e emocionais que podem faltar aos autistas. Isso, segundo ele argumenta, reflete os preconceitos da maioria neurotípica, que vê o autismo meramente como um transtorno psicológico.

Continuarei essas reflexões nos próximos posts. 

Espero que gostem. 

1 Tessalonicenses 5:18 “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.”


 

LEVÍTICO 4: O Sacrifício pelo Pecado: A Expiação para a Culpa Oculta e a Ignorância

  B om dia, amado irmão em Cristo. É com um senso de profunda reverência que avançamos para o quarto capítulo desta exposição. Se nos primei...