A Soberania e a
Certeza da Palavra
Texto bíblico: Mateus 24.32-35
Introdução
O Solus Christus
e a Firmeza da Escritura
Amados
irmãos e irmãs, é com alegria que meditamos na Palavra de Deus nesta manhã. A
herança da Reforma Protestante, que celebramos anualmente, nos lembra do brado
irredutível do Solus Christus – Somente Cristo – e do Sola Scriptura
– Somente a Escritura. Em tempos de incerteza e constante mudança, a única
âncora para a nossa fé e vida é a Palavra de Deus revelada nas Sagradas
Escrituras, pois ela aponta inerrantemente para Aquele que é o Alfa e o Ômega.
O
texto que temos diante de nós, em Mateus 24:32-35, é parte do importantíssimo
Sermão Profético de nosso Senhor. Nele, Jesus nos oferece um ensino de profunda
confiança na autoridade de Suas palavras, especialmente em relação aos eventos
que precedem a consumação de todas as coisas.
Os Sinais da Chegada e a Autoridade Absoluta
Mateus 24.32-35:
"Aprendei,
pois, a parábola da figueira: quando os seus ramos se tornam tenros e brotam
folhas, sabeis que o verão está próximo. Assim também vós: quando virdes todas
estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que
não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra,
porém as minhas palavras não passarão."
1. O Princípio da Observação Certa (v. 32-33): A Figurada
Lição da Criação.
Jesus
usa a criação como um professor confiável. Assim como a figueira, ao brotar,
anuncia a inevitabilidade do verão, os sinais profetizados por Cristo anunciam,
de modo igualmente certo, a Sua proximidade. Essa é uma lição de discernimento:
o crente não vive na ignorância cega, mas possui as Escrituras para
"aprender" e "saber" (conforme a tradução). Deus nos deu
Sua Palavra para que possamos ler os "sinais dos tempos" com
sobriedade e vigilância reformada. Não é um convite à especulação febril sobre
datas, mas à vigilância sóbria baseada no testemunho claro da Palavra.
2. A Certeza do Cumprimento Histórico (v. 34): O Poder da
Profecia.
"Em verdade
vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça." A
interpretação deste versículo é complexa, mas o que é inegável, à luz do
contexto de Mateus 24, é a certeza e a pontualidade com que as profecias
de Jesus se cumpririam, seja o juízo sobre Jerusalém em 70 d.C. (um evento que
alguns veem como o cumprimento primário) ou a série de eventos que levam à Sua
Segunda Vinda (o foco último). A Palavra de Cristo tem a força de decretos
reais: ela se cumpre no tempo e na história, testemunhando a fidelidade de
Deus.
3. A Durabilidade e a Eterna Autoridade da Palavra (v. 35): O
Sola Scriptura Definitivo.
Este
é o clímax teológico. A Palavra de Cristo é colocada acima de toda a criação
material: "Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não
passarão." O cosmos inteiro, com sua glória e solidez aparente, é
transitório; a Palavra de Cristo, no entanto, é eterna e imutável. Esta
verdade é o fundamento do Sola Scriptura: se a Palavra de Cristo é mais
estável que a própria estrutura do universo, é nela, e somente nela, que a
Igreja e o crente devem firmar sua fé e prática. A Sua Palavra é a Palavra do
Deus Soberano que sustenta e rege todas as coisas (Hebreus 1.3).
Conclusão
Irmãos,
a meditação de hoje nos chama a enxergar Jesus como o Profeta e Rei cujas
palavras possuem autoridade absoluta e perpétua. O nosso Deus é Soberano sobre
o tempo e a história, e Ele garante o cumprimento de cada sílaba que saiu da
boca de Seu Filho. Firmemos nossos pés nesta Rocha inabalável!
Aplicações
Como
crentes reformados, chamados à luz e à verdade da Palavra, estas verdades nos
impulsionam à ação:
- Nós devemos cultivar um
discernimento vigilante, aprendendo a ler os sinais dos tempos não com
medo ou sensacionalismo, mas à luz da Palavra, para que saibamos que a
consumação da nossa esperança está cada vez mais próxima.
- Nós devemos renovar nosso
compromisso com o Sola Scriptura, tratando a Bíblia com a
reverência que lhe é devida, pois ela é a única voz que permanecerá quando
o céu e a terra passarem.
- Nós devemos anunciar a Palavra de
Cristo, que é eterna, a um mundo obcecado por coisas passageiras,
oferecendo-lhes a única certeza e o único Salvador que não passa.
Oração
Soberano
Deus e Pai, Teu nome é santo. Agradecemos-Te porque, na fragilidade deste mundo
passageiro, Tu nos deste a Palavra eterna e imutável de Teu Filho Jesus Cristo.
Perdoa-nos pela nossa desatenção e pela nossa tendência a confiar mais nas
coisas que passam do que naquilo que permanece. Ajuda-nos a viver cada dia com
a sobriedade de quem sabe que o verão está próximo. Que o Teu Santo Espírito
grave em nossos corações que nem o céu nem a terra têm a solidez da Palavra de
Cristo. Fortalece a nossa fé, ó Senhor, para que possamos viver à luz de Tua
verdade e esperar vigilantemente por Aquele que está às portas.
Em nome de Jesus,
o Verbo que se fez carne e cuja Palavra não passará, nós oramos. Amém.




